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EDIFICIO ZÉZEU RIBEIRO | INTERVENÇÃO ANTIGO IAPETEC MANAUS

Manaus | Amazonas

2024

PRIMEIRO LUGAR - CONCURSO NACIONAL

Equipe

Diego Brasil

Camila Borges

Ariel Eufrosino

A preservação e ressignificação de objetos urbanos tombados é uma forma contundente de valorizar a cultura, os saberes e a memória de um lugar. Ao associar um bem tombado à Assistência Técnica para Habitação de Interesse Social, surge uma oportunidade significativa de contribuir e propor caminhos possíveis para a redução do déficit habitacional — um problema crônico dentro do território nacional. Essa abordagem mostra que bens públicos podem ser parte da solução, ao mesmo tempo que se valorizam e integram ativamente à paisagem urbana das cidades.

A proposta em questão expande a questão habitacional ao sugerir a inclusão de programas que promovam e valorizem os grandes centros urbanos, como iniciativas culturais e comércios locais. Dessa forma, o antigo apoia e integra o novo, tornando-se palco da potente diversidade urbana de Manaus.


 

Térreo | a diluição da fronteira público x privado

O projeto transforma o térreo em uma sequência de espaços destinados para comércios de pequena escala, incentivando que pequenas empresas e comerciantes locais assumam e compartilhem esse espaço. Outra atitude significativa é a de descentralizar o acesso ao edifício, ou seja, propor que a partir de qualquer face do quarteirão seja possível adentrar/cruzar/passear pelo térreo, assim é proposto uma galeria urbana onde o prédio funciona como uma cobertura do passeio público. Nesse andar também se articula às circulações verticais e as rotas de fuga solicitadas pelas normas brasileiras.

Ao diluir as fronteiras entre o público e o privado, o edifício passa a se confundir com as calçadas e praças da capital manauara, tornando-se parte ativa da vida cotidiana da cidade.

 

Corpo do Prédio | habitar e compartilhar

O desenho das habitações se molda a partir da estrutura existente, onde 8 lares encontram seu lugar em cada pavimento, organizados de forma a permitir que a luz solar e a brisa sejam sempre bem-vindos. As habitações são dispostas sobre a malha estrutural de forma a garantir que todos os ambientes recebam ventilação natural, grande parte com ventilação cruzada, além de serem acessíveis e conectarem os moradores à paisagem circundante, proporcionando vistas que integram a vida cotidiana ao cenário que os envolve.

À frente das duas caixas de escada periféricas, preservadas em sua integridade, surgem espaços pensados para o encontro e o compartilhamento. Ali, o convívio floresce em ambientes que acolhem as necessidades coletivas e facilitem a execução de tarefas que não caberiam nas unidades individuais — uma marcenaria coletiva para fabricação e reparo de pequenos móveis; salas de estudo para mentes que se expandem; uma biblioteca que convida à imersão no mundo das palavras; uma sala de costura para remendar histórias e criar novas peças; ateliê de artes para estímulo da produção intelectual; Sala de jogos onde a diversão costura laços entre vizinhos.

Além disso, o projeto propõe a remoção das lajes em áreas com menor incidência de luz natural, criando pátios verticais que atravessam o edifício. Essas aberturas transformam espaços antes lúgubres em grandes bolsões de ventilação e iluminação, complementando o sistema de ventilação cruzada nas unidades e melhorando significativamente o conforto térmico da edificação. Essa solução também reduz a necessidade de luz artificial nas áreas comuns, otimizando o consumo energético. Dessa forma, o antigo e o novo / o privado e o coletivo, se entrelaçam, criando um espaço onde o cotidiano é permeado por lugares de coexistência.

 

Cobertura | Cultura, Trocas e a Percepção do Território

As coberturas dos edifícios geralmente oferecem espaços amplos e vistas privilegiadas do entorno, além de serem o metro quadrado mais valorizado da construção. No entanto, o que se vê na maioria dos casos é a exclusão dessas qualidades do convívio comum, reservando esse privilégio a poucas famílias que podem usufruir da cobertura, muitas vezes destinada a usos privados e exclusivos dos condôminos.

A proposta aqui apresentada busca desafiar essa lógica e oferecer uma nova perspectiva sobre o uso das coberturas: trazer a cidade para a cobertura. O último pavimento deixa de ser uma área de uso exclusivo e é transformado em uma praça pública elevada, concebida para acolher diferentes atividades e pessoas. Essa praça abriga uma arena cultural para eventos e manifestações artísticas, áreas de convivência para encontros e interações sociais, um café que favorece a permanência e o lazer, e, naturalmente, um mirante que permite contemplar o desenho urbano do centro de Manaus em harmonia com a paisagem natural do Rio Negro.

Essa estratégia ressignifica o papel da cobertura, convertendo-a em um novo equipamento cultural inserido no coração da cidade, acessível a todos. Ao democratizar o uso do espaço mais valorizado do edifício, ele se torna um verdadeiro bem comum, proporcionando um ponto de encontro que não apenas amplia as opções de lazer e cultura no centro, mas também promove a convivência entre os diferentes estratos da sociedade. Esse diálogo entre o privado e o público fortalece o vínculo entre as pessoas e a cidade, permitindo que o espaço construído reflita um ideal de compartilhamento e inclusão.

© 2021. arquitectura br3

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